
Última atualização: 06/10/2026
Quando as contas apertam, o impacto não fica apenas no bolso. A preocupação com dinheiro pode ocupar espaço na cabeça, atrapalhar o descanso, aumentar a sensação de insegurança e tornar decisões simples mais difíceis. Muita gente conhece o frio na barriga de abrir o aplicativo do banco sem saber se o saldo vai chegar ao fim do mês.
O estresse financeiro surge nessa relação entre a situação econômica e o jeito como ela afeta a percepção de segurança, as escolhas e o bem-estar. Um estudo do Banco Central sobre endividamento mostra que quem permanece endividado por mais tempo percebe mais estresse em casa por causa de despesas e compromissos financeiros, além de uma redução maior no padrão de vida.¹
Esse é o tema do terceiro episódio da segunda temporada do videocast Dinheiro Delas, da 99Pay: "Quando a falta de dinheiro tira nossa paz". Apresentado por Júlia Costa, o episódio recebe a psicóloga e criadora de conteúdo Mara Gomes e conta com a educadora financeira Mari Ferreira, que comanda o quadro "Conversa com a Especialista", para discutir dinheiro, cansaço, culpa, planejamento e saúde mental.
Neste artigo, você vai entender o que é estresse financeiro, como os problemas com dinheiro podem afetar a rotina e quais hábitos podem ajudar a construir uma relação mais equilibrada com as finanças.
Você vai ler sobre:
O que é estresse financeiro?
Dinheiro e saúde mental: como os problemas financeiros afetam a rotina
Quando a preocupação com dinheiro começa a pesar demais
Descontrole financeiro ou sobrecarga financeira?
Endividamento e saúde mental: por que olhar para as dívidas ajuda
Como organizar a vida financeira sem que o dinheiro vire mais uma fonte de estresse
Hábitos financeiros saudáveis também fazem parte do bem-estar
Wellness não precisa significar gastar dinheiro
Como construir tranquilidade financeira aos poucos
Quando procurar ajuda?
Dinheiro Delas: o custo do cansaço
Como lidar com problemas financeiros sem deixar que eles dominem sua vida
Perguntas frequentes sobre estresse financeiro
Estresse financeiro é uma forma de descrever a tensão, a preocupação e a sobrecarga relacionadas à situação financeira. Ele pode aparecer quando existe dificuldade para pagar contas, excesso de dívidas, renda insuficiente, gastos inesperados ou incerteza sobre o futuro.
Isso não significa que toda pessoa com dificuldades financeiras desenvolverá um problema de saúde mental, nem que problemas financeiros serão sempre consequência de falta de organização. Uma emergência, uma redução de renda ou uma despesa inesperada podem comprometer qualquer orçamento. O que muda é a forma como a preocupação financeira começa a ocupar espaço na vida.
Mara Gomes conta que, diante de um aperto financeiro, pode surgir uma sensação física de medo, relacionada às experiências de escassez. Mesmo quando a situação é mais segura, a possibilidade de faltar dinheiro pode despertar pensamentos como "será que vai faltar tudo?" ou "será que vai dar tudo errado?".
Um estudo do Banco Central, com base no Índice de Saúde Financeira do Brasileiro, define saúde financeira como a capacidade de cumprir as obrigações do dia a dia, tomar boas decisões, ter disciplina para alcançar objetivos, sentir segurança em relação ao futuro e ter liberdade para fazer escolhas que permitam aproveitar a vida.¹ Por isso, falar sobre estresse financeiro é também falar sobre segurança, autonomia e bem-estar.
A relação entre dinheiro e saúde mental pode aparecer em uma conta atrasada que gera preocupação, em uma dívida que traz insegurança ou em uma despesa inesperada que provoca culpa.
A preocupação com as contas e a incerteza sobre o próximo mês podem fazer a pessoa passar várias horas do dia buscando uma solução. Às vezes, essa preocupação não termina na hora de dormir.
No videocast, o sono aparece como um dos pontos em que a pressão financeira pode pesar. Mara explica que quem não dorme bem tem mais dificuldade de se manter bem e ativo no dia seguinte. Quando a mente permanece ocupada tentando solucionar problemas, descansar pode se tornar mais difícil.
A preocupação com dinheiro não causa, necessariamente, insônia. Porém, quando uma questão financeira ocupa os pensamentos o tempo todo, ela pode se tornar mais um fator de sobrecarga.
A ansiedade financeira pode ser entendida como uma preocupação recorrente relacionada ao dinheiro, às contas e à possibilidade de não conseguir cumprir compromissos.
Ela pode aparecer em pensamentos como: "Será que o dinheiro vai dar?", "E se acontecer alguma emergência?", "Como vou pagar essa conta?", "Não consigo pagar minhas contas. Por onde começo?" e "Será que vou conseguir manter minha vida financeira?".
Essas perguntas podem ser pontuais e fazer parte da vida de qualquer pessoa. O sinal de atenção aparece quando a preocupação passa a dominar a rotina e interfere no descanso, nas relações ou na capacidade de tomar decisões.
A culpa é outro sentimento bastante presente na conversa. Mara chama atenção para a cobrança que muitas mulheres fazem sobre si mesmas e para a sensação de que precisam dar conta de tudo. Quando o assunto é dinheiro, essa cobrança pode aparecer de diversas maneiras.
Uma pessoa pode se culpar por gastar. Outra pode sentir que precisa compensar alguma ausência com presentes. Também é possível sentir culpa por uma despesa necessária que acabou deixando o orçamento mais apertado. Com isso, o dinheiro passa a vir acompanhado não apenas de números, mas também de emoções.
Nem sempre é fácil perceber que a relação com o dinheiro está se tornando fonte de sofrimento. Alguns comportamentos, porém, merecem atenção:
Pensar constantemente nas contas;
Sentir medo de não ter dinheiro para despesas básicas;
Evitar abrir o aplicativo do banco;
Deixar de conferir a fatura do cartão;
Adiar decisões financeiras;
Sentir culpa depois de gastar;
Evitar conversar sobre dívidas;
Ter a sensação de falta de controle financeiro;
Passar muito tempo fazendo contas mentalmente;
Não conseguir pensar no futuro porque toda a energia está concentrada no próximo pagamento.
Mara relata que, depois de se mudar, deixou de registrar seus gastos porque não queria encarar o tamanho das despesas daquele período. Havia gastos necessários e inesperados, mas olhar para eles também despertava culpa.
Isso pode parecer familiar para quem enfrenta problemas financeiros: não olhar para o número traz um alívio momentâneo. O problema continua existindo, mas longe dos olhos. Por isso, uma das primeiras etapas para recuperar a organização é justamente converter a preocupação em informação.
Nem toda dificuldade financeira deve ser colocada na conta do comportamento individual. O descontrole financeiro nem sempre acontece porque alguém "não sabe cuidar do dinheiro", e muitos problemas financeiros não se resolvem com uma planilha.
Desemprego, redução de renda, despesas médicas, mudanças familiares, emergências e outros acontecimentos podem alterar completamente um orçamento. Uma pessoa pode ter um planejamento financeiro pessoal e, ainda assim, enfrentar um mês difícil.
A diferença está em reconhecer a situação e buscar formas de reorganização. A pesquisa de saúde financeira analisada pelo Banco Central pergunta, por exemplo, se a pessoa daria conta de uma despesa inesperada grande.¹ Organização financeira, então, significa criar condições para enfrentar melhor aquilo que não estava previsto, sem a obrigação de prever tudo.
O endividamento pode aumentar a pressão financeira porque converte uma dificuldade atual em compromissos futuros. Quando existem várias parcelas, juros, faturas ou contas atrasadas, pode surgir a sensação de que o problema é grande demais para ser resolvido.
É justamente nesse momento que evitar olhar para as dívidas pode parecer mais confortável. Colocar a dívida em números concretos, porém, ajuda a entender o tamanho real do problema. Comece anotando:
Quanto você deve;
Para quem deve;
Quais são as taxas de juros;
Quais contas estão atrasadas;
Quais compromissos vencem nos próximos dias;
Quais dívidas podem ser negociadas.
A proposta é sair do escuro, sem a pressão de resolver tudo de uma vez. Na definição usada pelo Banco Central, conseguir cumprir as obrigações financeiras é uma das bases da saúde financeira.¹ Se a situação estiver muito difícil, buscar orientação especializada também pode ajudar a avaliar alternativas de negociação.
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No quadro "Conversa com a Especialista", Mari Ferreira, especialista em finanças do Dinheiro Delas, reúne dicas práticas para construir uma relação mais leve com o dinheiro. A primeira delas muda o ponto de partida do planejamento.
Para Mari, o planejamento financeiro precisa servir para que a pessoa viva, conquiste coisas e seja feliz, e não só para pagar as contas do mês. Ela dá um exemplo: recorrer a um empréstimo para quitar a fatura do cartão depois de comprar roupas novas para a academia afasta a pessoa da vida financeira que ela imaginava para si.
O Banco Central segue a mesma linha ao recomendar que o planejamento esteja ligado a objetivos concretos, com o cálculo de quanto eles custam e de como podem caber no orçamento.³
Mari defende encarar a conta e cada compra sem medo e sem culpa. Segundo ela, essa mudança de postura já melhora bastante a situação. Conhecer os números ajuda a visualizar quanto entra, quanto sai e com o que o dinheiro está sendo utilizado.² Para quem usa a 99Pay, o extrato em tempo real do app ajuda nesse acompanhamento, e o Buscador de Boletos reúne os boletos em um só lugar. O pagamento de boletos pela conta ainda gera cashback.
Antes de fechar uma compra, Mari sugere dar "aquela respiradinha" e deixar o produto no carrinho por 24 horas. A pausa cria espaço entre o impulso e a decisão.
A mesma lógica vale para planos e compras maiores. Antes de assinar um plano anual de academia, Mari recomenda fazer um dia de treino e depois treinar por um mês, para ver se a frequência se mantém. Antes de comprar marmitas para o mês inteiro, a dica é provar uma para saber se o sabor agrada.
Muitas compras acontecem porque alguém nas redes sociais mostrou aquele produto ou serviço. Mari lembra que essa pessoa nem sempre tem o mesmo hábito, a mesma rotina, o mesmo jeito de viver e o mesmo padrão financeiro de quem assiste. Dar um tempo antes de decidir ajuda a separar o que faz sentido para a própria vida do que veio só do feed.
Para fechar, Mari afasta a ideia de que saúde mental e saúde física se compram. Uma boa noite de sono ou comer uma comida preparada em casa também são formas de cuidado. "Nem tudo precisa ser sobre dinheiro", resume.
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Pequenos comportamentos podem ajudar a diminuir a sensação de desorganização. Entre os hábitos financeiros saudáveis que podem fazer parte da rotina estão:
Acompanhar o orçamento regularmente;
Conferir o saldo e as faturas;
Evitar compras por impulso;
Pesquisar antes de comprar;
Estabelecer objetivos financeiros;
Construir uma reserva para imprevistos;
Acompanhar as dívidas;
Avaliar com cuidado novas parcelas;
Revisar gastos recorrentes;
Reservar um período para pensar antes de uma compra não essencial.
A conversa do Dinheiro Delas também passa pelo conceito de wellness, ou bem-estar.
Nas redes sociais, o bem-estar muitas vezes aparece associado a produtos, experiências e rotinas de consumo. O problema é quando essa representação cria a sensação de que é preciso gastar dinheiro para ter uma vida equilibrada.
Mari questiona essa lógica e diz que nem todo cuidado precisa ser comprado. Uma boa noite de sono, uma refeição preparada em casa, um momento de descanso, uma caminhada ou simplesmente um tempo para si também podem fazer parte do cuidado.
Mara propõe outro ponto de partida, reconhecer a própria realidade. Quem acorda cedo e trabalha o dia todo não precisa seguir a rotina de alguém que vive para malhar ou comer bem. Às vezes, o skincare não precisa de dez passos e três já resolvem. Ela também lembra que nem sempre somos o público-alvo daquela propaganda ou daquele influenciador.
Esse ponto pesa ainda mais quando existe pressão financeira. Se a pessoa já enfrenta dificuldades financeiras, colocar o bem-estar em mais uma lista de compras pode aumentar a cobrança. Qualidade de vida financeira não significa, necessariamente, ter dinheiro para comprar tudo aquilo que se gostaria. Também significa construir uma relação com o dinheiro compatível com a sua realidade.
A tranquilidade financeira não precisa aparecer de uma hora para outra. Ela pode ser construída por etapas.
Talvez você não consiga controlar a inflação, uma emergência ou uma mudança inesperada na renda. Mas pode começar pelo que está ao seu alcance: acompanhar gastos, organizar contas, negociar dívidas e estabelecer prioridades.
Uma reserva financeira pode ajudar a enfrentar despesas inesperadas sem depender imediatamente de crédito. O tamanho dessa reserva depende da realidade de cada pessoa, e o ponto de partida pode ser uma meta possível, que cresce aos poucos. Quem usa a conta digital da 99 pode deixar esse dinheiro separado na própria conta, com lucratividade de até 110% do CDI para valores de até R$ 5.000. O CDI é uma taxa de referência do mercado financeiro, usada como base para calcular quanto o dinheiro guardado pode crescer.
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Em vez de pensar apenas "minha situação está ruim", procure responder:
Quanto eu ganho?
Quanto eu gasto?
Quanto eu devo?
Quais são minhas contas prioritárias?
Quais despesas eu posso reduzir?
Existe alguma dívida que pode ser negociada?
Com essas respostas no papel, a preocupação ganha números e fica mais fácil planejar o próximo passo.
Não é necessário resolver toda a vida financeira em um único mês. Uma meta pode ser: reduzir determinada dívida, montar a primeira reserva ou organizar os gastos do próximo mês. A evolução gradual ajuda a criar hábitos sustentáveis.
Organizar o dinheiro pode ajudar a diminuir a incerteza, mas não substitui cuidados de saúde mental.
Se a preocupação financeira estiver associada a sofrimento persistente, crises de ansiedade, dificuldade para dormir, prejuízo no trabalho ou nas relações, procure ajuda profissional. Não é preciso esperar a situação chegar ao limite para pedir apoio.
O Sistema Único de Saúde (SUS) conta com a Rede de Atenção Psicossocial, que reúne serviços como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), unidades de saúde abertas à comunidade para o atendimento de pessoas em sofrimento psíquico.⁴
Em situações de sofrimento emocional intenso, procure imediatamente um serviço de saúde ou atendimento de emergência. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito, 24 horas por dia, pelo telefone 188 ou pelo site cvv.org.br .⁵
Esse cuidado conversa com a campanha de prevenção e valorização da vida que ganha as ruas todos os anos. O blog da 99Pay reuniu mais informações sobre o tema em Setembro Amarelo: como equilibrar finanças e saúde mental .
O estresse financeiro é o assunto central do terceiro episódio da segunda temporada do videocast Dinheiro Delas, "O custo do cansaço: quando a falta de dinheiro tira nossa paz".
Júlia Costa e Mari Ferreira recebem a psicóloga Mara Gomes para conversar sobre culpa, medo da escassez, sono, procrastinação, consumo, planejamento financeiro e a pressão para aparentar, nas redes sociais, uma vida que nem sempre corresponde à realidade.
Um dos principais pontos levantados no episódio é que o planejamento financeiro não deveria existir apenas para pagar contas. Ele deve ajudar a criar condições para viver, realizar objetivos e tomar decisões com mais consciência.
O episódio também mostra que não existe uma única definição de bem-estar. Para algumas pessoas, pode significar trabalhar menos. Para outras, ter tempo de qualidade, descansar sem culpa ou conseguir manter relações mais equilibradas. A ideia é encontrar o que faz sentido para a própria realidade.
Se você está enfrentando dificuldades financeiras, não precisa começar tentando resolver tudo. Comece olhando para os números, organize o que encontrar, defina prioridades e avance aos poucos.
O dinheiro não precisa ser uma fonte permanente de culpa, e o planejamento financeiro não precisa deixar a sua vida com cara de planilha. O objetivo é ter mais clareza para tomar decisões.
O Banco Central relaciona saúde financeira à segurança, à liberdade de escolha, à capacidade de cumprir compromissos e à possibilidade de aproveitar a vida.¹ É aí que o planejamento encontra a saúde mental: quanto mais clareza você tem sobre a sua situação, mais condições tem de decidir o que fazer a seguir. O episódio completo do Dinheiro Delas está disponível no canal da 99Pay no YouTube.
Fontes:
[1] Banco Central do Brasil. Série Cidadania Financeira nº 8: Endividamento de Risco no Brasil (Atualização): impacto no Sistema Financeiro Nacional e qualificação dos indicadores. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/content/cidadaniafinanceira/documentos_cidadania/serie_cidadania/serie_cidadania_financeira_8_endividamento_risco_2ed.pdf
[2] Banco Central do Brasil. A importância da Educação Financeira para a sua qualidade de vida e bem-estar financeiro. Disponível em: https://aprendervalor.bcb.gov.br/site/aprendervalor/NoticiaAprenderValor/53/noticia
[3] Banco Central do Brasil. Caderno de Educação Financeira: Gestão de Finanças Pessoais. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/pre/pef/port/caderno_cidadania_financeira.pdf
[4] Ministério da Saúde. Dados da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) no Sistema Único de Saúde (SUS). Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/caps/raps/arquivos/dados-da-rede-de-atencao-psicossocial-raps.pdf/
[5] Centro de Valorização da Vida (CVV). Página oficial. Disponível em: https://www.cvv.org.br