
Última atualização: 19/11/2025
Com a chegada do final do ano, milhões de trabalhadores brasileiros se preparam para receber o 13º salário, um alívio no orçamento que pode ser decisivo para a saúde financeira. Em um cenário de endividamento, especialistas apontam que o uso estratégico desse dinheiro extra é a principal oportunidade para quitar as dívidas e evitar que contas com juros altos se transformem em uma bola de neve no ano seguinte.
A recomendação unânime de educadores financeiros é que o valor seja destinado, prioritariamente, para a renegociação de débitos, especialmente os do cartão de crédito e cheque especial, cujas taxas estão entre as mais altas do mercado.
A estratégia mais eficaz para o uso do décimo terceiro salário começa com um diagnóstico completo da vida financeira. Antes de tomar qualquer decisão, é fundamental listar todas as pendências, organizando por ordem de prioridade, ou seja, daquela com a maior taxa de juros para a menor.
Essa organização permite visualizar o tamanho real do problema e direcionar o dinheiro de forma inteligente. Pagar uma dívida com juros elevados funciona como um investimento com retorno garantido, uma vez que o consumidor deixa de perder dinheiro com o acúmulo de encargos.
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Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), os brasileiros ficaram mais endividados em outubro de 2025 . A quantidade de famílias com dívidas subiu a 79,5% no mês passado, maior patamar da série histórica iniciada em 2010, apontou a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).
Por isso, ao construir um mapa das dívidas, é possível planejar melhor as soluções. O 13º salário dá ao consumidor um maior poder de barganha para negociar com os credores. A orientação é procurar as instituições financeiras e buscar descontos para a quitação à vista do débito .
Caso o valor não seja suficiente para eliminar toda a dívida, a sugestão é amortizar o máximo possível, sempre começando pela mais cara. Outra parte do planejamento inclui reservar uma parcela do dinheiro para as despesas típicas de início de ano: IPVA, IPTU e compra de material escolar, evitando assim novas dívidas.
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Se não houver débitos pendentes, o 13º salário deve ser usado para construir ou fortalecer a reserva de emergência, um colchão de segurança essencial para imprevistos.
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Conforme a legislação trabalhista, o pagamento do 13º salário é dividido em duas parcelas . A primeira deve ser paga pelo empregador entre o dia 1º de fevereiro e o último dia útil de novembro. Esta parcela corresponde a 50% do valor bruto do salário, sem descontos. Para 2025, a data limite é 28 de novembro .
Já a segunda parcela deve ser paga até o dia 19 de dezembro de 2025, já que dia 20 cairá em um sábado. Sobre este valor incidem os descontos do Imposto de Renda (IR) e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O planejamento financeiro para o uso do benefício deve considerar o valor líquido que entrará na conta.
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Sim, a amortização de financiamentos com o 13º é uma excelente estratégia. Ao reduzir o saldo devedor, o consumidor diminui o montante de juros pagos ao longo do contrato, podendo optar pela redução do prazo ou do valor das parcelas futuras.
Nesse cenário, o foco deve ser na dívida com a maior taxa de juros. Utilize o valor para abater o máximo que conseguir do saldo devedor e, se necessário, renegocie o restante em condições mais favoráveis.
O investimento do 13º salário é recomendado apenas para quem não possui dívidas. Para quem está com as contas em dia, há um leque de opções, desde a renda fixa, mais conservadora, até a renda variável, para perfis mais arrojados.
O cálculo é proporcional aos meses trabalhados no ano. Basta dividir o salário bruto por 12 e multiplicar pelo número de meses de trabalho. A primeira parcela é paga até 30 de novembro e a segunda, com os descontos de INSS e IR, até 20 de dezembro.
O não pagamento do 13º salário é uma infração à legislação trabalhista. O trabalhador deve procurar a empresa e, caso não haja acordo, pode acionar o sindicato de sua categoria ou registrar uma denúncia no Ministério do Trabalho.
Especialistas recomendam que os gastos de Natal sejam previstos no orçamento mensal, sem depender do 13º. Caso não tenha sido possível, o ideal é separar uma pequena parte para esse fim, sem comprometer a prioridade, que é a quitação de dívidas.
Ao contatar o credor, informe o seu interesse em quitar a dívida e pergunte sobre os descontos disponíveis para pagamento à vista. Com o dinheiro em mãos, sua capacidade de negociação aumenta consideravelmente.
Quitar dívidas é quase sempre mais vantajoso. As taxas de juros de débitos, como cheque especial e cartão de crédito, são muito superiores à rentabilidade da maioria dos investimentos disponíveis no mercado.
A prevenção de novas dívidas passa por um controle financeiro rigoroso, com o registro de todas as despesas, o estabelecimento de metas de economia e a criação de uma reserva de emergência para cobrir imprevistos.