
Última atualização: 12/11/2025
Em todas as regiões do Brasil, as mulheres estão assumindo papéis cada vez mais relevantes como empreendedoras e essa participação já se materializa em números: segundo levantamento da Sebrae baseado no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PNAD Contínua), há cerca de 10,4 milhões de mulheres que lideram algum negócio no país .
Esse movimento não apenas fortalece a economia, como também abre caminhos para novas oportunidades e visibilidade feminina no mundo dos negócios. No quarto episódio da série Dinheiro Delas da 99Pay, você vai ver um bate-papo com mulheres inspiradoras que iniciaram o próprio negócio. E no artigo de hoje, em parceria com nossa especialista em educação financeira, Mari Ferreira, vamos descobrir como começar e fortalecer um negócio.
Dinheiro Delas | Episódio 5: O preço de ser mulher
O termo “empreendedorismo feminino ” abrange mais do que tocar um negócio: refere-se à mulher que concebe, lidera ou dirige uma empresa, e também à sua presença crescente em posições estratégicas, em que a atitude empreendedora é um diferencial.
Ainda assim, embora as mulheres componham mais da metade da população brasileira (51,5% conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 2022), seguem sub-representadas em cargos de comando.
Além disso, as mulheres enfrentam diversos obstáculos e preconceitos, uma lacuna que se alimenta de fatores como acúmulo de tarefas domésticas, pausa para maternidade, cobranças da sociedade e redes de apoio insuficientes, que impactam sua trajetória profissional.
Para muitas de nós, o empreendedorismo feminino é a saída. De acordo com levantamento realizado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), no início de 2025, no Brasil existiam 47 milhões de pessoas à frente de algum negócio, formal ou informal, sendo 10,4 milhões de mulheres.
Mesmo recebendo menos que os homens, as mulheres têm iniciativa, persistência e senso de urgência apurado. Para elas, a necessidade se sobrepõe ao desejo de empreender como forma de expressão, talento ou vocação. A maioria empreende para pagar as contas, criar seus filhos e ter uma vida melhor.
Para a sociedade,toda empresa liderada por uma mulher pode trazer inovação real, pois ela tende a enxergar lacunas que outros não veem e a elaborar soluções específicas para grupos que historicamente são ignorados.
E tem mais: as micro e pequenas empresas — muitas lideradas por mulheres — correspondem a uma parcela significativa da criação de empregos formais no Brasil, segundo dados recentes do Sebrae.
Sabendo que mais da metade do consumo no país é feminino, faz sentido que elas estejam por trás dos negócios também. Seja devido ao sexto sentido ou resiliência, as empresas criadas por mulheres têm o diferencial de entender esse mercado de dentro e entregar propósito e essência à quem consome .
Em paralelo, a autonomia financeira feminina cresce à medida que as empreendedoras assumem, não apenas a gestão do negócio, mas também a gestão dos recursos em casa. Em pesquisa da Serasa Experian de 2024, 93% das mulheres relataram ser financeiramente responsáveis pela família — e 1 em cada 3 era a única provedora.
Com percentuais tão altos, ainda me pergunto porque o empreendedorismo feminino é visto como quebra-galho ou falta de opção. A mulher, que não tem espaço de grande relevância nas empresas, vai lá e monta a sua própria! Quão genial é isso?
O empreendedorismo feminino no Brasil segue em ascensão, mesmo frente a obstáculos expressivos. Em estudos recentes da Global Entrepreneurship Monitor, o país aparece entre os líderes em participação feminina em negócios iniciais.
Porém, homens ainda fazem mais dinheiro e se dedicam por mais horas semanais ao trabalho autônomo remunerado, enquanto os afazeres domésticos e familiares, fazem com que as mulheres tenham uma jornada maior de trabalho, no entanto, sendo uma grande parte, não remunerada - como cuidado com familiares idosos e limpeza da casa.

Planejamento é a chave do segredo quando falamos em abrir e gerenciar o próprio negócio
Empreender pode começar como um sonho ou uma necessidade, e, em muitos casos, é um pouco dos dois. Antes de decidir o que fazer, reflita sobre qual problema você quer resolver e o que te motiva a começar.
Ter um negócio exige mais do que capital: pede tempo, curiosidade, energia e disposição para aprender todos os dias.
1. Defina o segmento
Escolha um mercado que combine com seus valores e habilidades. Pergunte-se: o que você faz bem, pode gerar remuneração adequada às expectativas e que realmente é consumido pelas pessoas?
2. Desenhe seu plano de voo
Como primeira ação, em vez de um plano cheio de planilhas, escreva em poucas linhas o que vai oferecer, quem quer alcançar e quanto precisa investir para começar.
Traçar um plano significa também definir onde sua empresa almeja chegar e por qual caminho seguirá para realizar os objetivos e as metas.
Por isso, pesquise o custo inicial e constante do negócio. Entenda quanto o serviço ou produto custa no mercado, para fazer uma precificação competitiva. Veja quantos clientes você precisa ter, ou quantas vendas por mês precisa fazer para que o negócio se sustente e te pague um salário suficiente pras contas pessoais. Dê o seu toque e encontre um diferencial para o lançamento dessa nova empreitada.
Defina metas de faturamento mensais e anuais, e também quando será necessário fazer um reinvestimento.
3. Entenda com quem está falando
Converse com potenciais clientes, observe como eles compram, o que procuram e quais dores ainda não foram resolvidas.
Todo esse processo pode parecer complexo no início, mas se torna mais fácil quando você pesquisa bastante, faz boas leituras sobre o assunto e busca ver como a concorrência atua.
4. Cuide da parte formal
A burocracia pode assustar, mas é o que garante segurança ao seu trabalho. Pesquise as exigências da sua cidade, registre o CNPJ e procure apoio de órgãos como o Sebrae ou associações locais.
Quando iniciamos um negócio, seja por necessidade ou ambição, ter uma estrutura desde o princípio é uma garantia maior de sucesso. Sabendo a média de valores a receber, você escolhe entre a MEI e a ME e a partir daí já terá a segurança de contribuir com INSS e a visão dos clientes de que é uma profissional.
5. Teste e aprimore
Antes de lançar oficialmente, valide sua ideia com um pequeno grupo de clientes. Isso ajuda a ajustar preços, comunicação e produto — sem comprometer o investimento. Mas depois de lançar, você deve aceitar que o erro faz parte do processo. Então, siga testando e aprendendo a cada etapa. Ter uma reserva de emergência pessoal e um capital de giro para o novo negócio vai te ajudar a dar mais estabilidade no início. O valor vai depender bastante do seu ramo de atuação.
Por exemplo: se você for trabalhar oferecendo seu tempo com cuidados de idosos, consultoria de estilo ou organização de armários, não precisa se preocupar tanto com o investimento inicial, pois esse tipo de trabalho demanda conhecimento e tempo de aplicação. Agora, se for abrir uma loja de roupas, fazer transporte escolar ou produzir e vender artesanato, vai precisar se qualificar, dedicar tempo e um valor para a compra dos materiais, do carro… Então, antes de definir o ramo de atuação, saber os custos e possibilidades de lucro, é essencial.
Para empreender e aumentar os lucros do seu negócio, antes de mais nada, é preciso compreender o funcionamento da sua empresa. Dos pequenos aos grandes negócios, todos precisam ter controle e registro de cada passo para crescer.
1. Invista em você antes de investir na empresa
Aprender sobre finanças, marketing e gestão é um investimento que traz retorno em todas as áreas. Estude o suficiente para tomar decisões com autonomia. Por exemplo: se você quer abrir uma padaria, considere fazer uma formação básica de padeiro, buscar por consultorias de empresários do ramo e estudar com cursos livres para entender o dia a dia desse tipo de empresa.
2. Faça da internet sua vitrine
Hoje, qualquer negócio pode (e deve) estar online. Mostre seu trabalho, compartilhe bastidores e use as redes para construir confiança com o público.
Tenha redes sociais ativas para interagir e criar comunidades.
Estude a possibilidade de operar remotamente, através de entrega (delivery) ou com atendimento e serviços online.
Considere investir em capacitação para usar ferramentas como aplicativos, Inteligência Artificial e sistemas tecnológicos em algumas etapas do seu processo.
3. Conte sua história
Mais do que vender, é sobre criar conexão. Invista em marketing com propósito, que mostre o impacto real do seu produto ou serviço na vida das pessoas. Tenha atenção ao contratar funcionários, para que tenham habilidades e valores parecidos com os seus.
Leia também: Pequenos negócios: como criar um site de vendas?
A rotina da mulher empreendedora costuma ter mais capítulos do que um livro de sucesso: negócios, família, casa, autocuidado e, ainda assim, o desejo de fazer tudo bem-feito. O desafio não é escolher entre a vida pessoal e profissional — é conciliar sem se perder de si mesma.
Neste quesito está em jogo a saúde física e mental das empreendedoras. Uma boa forma de deixar a balança equilibrada é manter a conexão com familiares, amigos e parceiros . Pelo contrário do que se pensa, dedicar tempo aos relacionamentos interpessoais não deve comprometer as entregas, compromissos ou a administração do negócio. Afinal, toda mulher precisa de uma rede de apoio.
Cuidar de si não deveria ser um luxo, e sim parte do plano de negócio . Reserve um tempo para a vida pessoal— pode ser uma caminhada curta, agendar um check-up, um café sem pressa ou simplesmente alguns minutos de ócio. O que importa é lembrar que você é o motor do seu negócio.
Definir limites é um ato de maturidade e de amor-próprio. Estabeleça horários de início e fim de jornada, aprenda a dizer “não” quando for preciso e lembre-se: descansar também é uma forma de produzir.
E, claro, mantenha o olhar nas finanças . Planejar o fluxo de caixa, separar uma reserva para emergências e acompanhar o desempenho do negócio, te dão liberdade para escolher o rumo da sua empresa, sem sustos no caminho.
A gente percebe que no fim das contas, empreender é uma parte grande da vida, que no início demanda muita energia, mas que se for feita da forma correta, etapa por etapa, pode ficar cada vez mais tranquila. Eu comecei a empreender aos 30 anos, com muita paixão e vontade, dedicando horas incontáveis ao meu negócio, para que ele desse certo.
Hoje em dia já alcancei as principais metas, então já consigo definir uma jornada de trabalho mais enxuta e priorizar atividade física, passeios aos finais de semana, o preparo das refeições, a limpeza da casa, uma festinha. É importante perceber a hora de colocar mais energia para criar uma estrutura forte, e a hora de curtir o que já está funcionando bem. Eu te garanto que, se a sua jornada ao empreender for alinhada ao planejamento das finanças e do negócio, muito em breve sua rotina terá um equilíbrio maior e sua qualidade de vida vai melhorar.
Vamos dar esse passo?
Leia também: Como fazer fluxo de caixa?
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Para começar seu próprio negócio, identifique suas paixões e habilidades para transformá-las em um diferencial. Planeje seus objetivos, estude o mercado e valide sua ideia com o menor custo possível. Crie uma identidade para sua marca e busque educação, formalização, e entenda a necessidade de obter uma linha de crédito específica para mulheres empreendedoras.
Mulheres empreendedoras frequentemente lidam com a conciliação entre trabalho e vida pessoal, acesso limitado a crédito e redes de contato, além de questões como autocobrança, falta de autoconfiança e preconceito de gênero. Superar esses obstáculos exige resiliência e estratégias bem definidas.
Construa uma rede de apoio sólida com familiares e outras empreendedoras. Invista em networking e capacitação, buscando cursos e mentorias. Acredite em seu potencial, celebre suas conquistas e não hesite em procurar ajuda profissional, se a autocobrança ou a síndrome do impostor afetarem sua confiança.
Mulheres podem empreender nas áreas que elas desejarem, como lojas online de produtos artesanais, consultoria de estilo e imagem, produção de conteúdo digital, desenvolvimento de cursos online, coaching, serviços de organização pessoal e residencial, e consultoria financeira. O importante é alinhar a ideia com suas habilidades e paixões, e montar um plano financeiramente viável.
A conciliação exige planejamento e uma rede de apoio. Delegue tarefas, estabeleça limites claros entre trabalho e vida pessoal, e priorize o autocuidado. O networking com outras empreendedoras pode oferecer insights e suporte para gerenciar essa dupla jornada de forma mais equilibrada. Com organização desde o início, a tendência é que essa jornada vá ficando mais leve com o tempo.
Participe de comunidades e eventos voltados para o empreendedorismo feminino. Existem diversas associações, grupos online e programas de mentoria que conectam mulheres, oferecendo troca de experiências, parcerias e oportunidades de crescimento.
Pesquise linhas de crédito específicas para mulheres empreendedoras, oferecidas por bancos e instituições financeiras. Prepare um plano de negócios sólido e demonstre a viabilidade da sua ideia. Programas de fomento ao empreendedorismo feminino também podem ser uma boa fonte de recursos.
O autoconhecimento é fundamental para identificar suas habilidades, paixões e valores, que se tornarão a base do seu negócio. Ele ajuda a definir um nicho de mercado alinhado aos seus propósitos e a construir uma marca autêntica e diferenciada.
Valide sua ideia testando-a com o menor custo possível. Isso pode ser feito através de pré-vendas, pesquisas de mercado com potenciais clientes ou a criação de protótipos simples. O feedback inicial é crucial para ajustar o produto ou serviço antes de um investimento maior.
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