
Última atualização: 13/10/2025
Por: Mari Ferreira
O dinheiro é um assunto delicado em qualquer situação e relacionamento. Seja amoroso, de amizade ou familiar, quando a falta de grana é uma realidade, muitas pessoas optam por esconder o que realmente se passa e, até mesmo, evitam tocar nesse assunto por gerar vergonha e incômodo.
Apesar de ser um fator determinante para tomar qualquer decisão, até as mais simples como ir a um encontro de família ou comemorar mais um ano de vida de um amigo, o dinheiro pode se tornar um problema na vida de um casal . Ainda mais quando ele é evitado durante as conversas de rotina e só aparece quando algo ruim acontece.
Para te ajudar a entender melhor a importância de falar sobre grana, convidamos a Mari Ferreira, especialista em educação financeira, que vai te abrir os olhos quando o assunto é dinheiro e relacionamento.
Com objetivo de desconstruir o receio de falar sobre grana e finanças, a 99Pay se juntou à educadora financeira e consultora Mari Ferreira para lançar a série especial Dinheiro Delas, que traz episódios exclusivos sobre a realidade das mulheres em relação ao dinheiro em diversos aspectos do dia a dia.
O primeiro episódio fala especialmente sobre: “Como o dinheiro afeta nossas relações” . Pensando nisso, vamos trazer vários aspectos de dinheiro e relacionamento, que envolvem, não apenas as mulheres, mas todos que lidam com dificuldades financeiras e têm receio de expor para aqueles que compõem o círculo social mais íntimo.
Dinheiro Delas | Episódio 1: Como o dinheiro afeta nossas relações
Afinal, como o dinheiro afeta os relacionamentos?
Existem muitas maneiras de olhar para um relacionamento, e ao focar no financeiro nós descobrimos que, segundo uma pesquisa feita pela Serasa, publicada em junho de 2025, 53% dos brasileiros consideram o dinheiro a principal causa de brigas nos relacionamentos .
As questões financeiras mexem com aspectos da personalidade e dos valores individuais. Por isso, o impacto do dinheiro nos relacionamentos, principalmente entre casais, vai muito além das discussões sobre gastos. Ainda de acordo com a pesquisa, que ouviu 1.120 brasileiros de diversas regiões do país:
41% já tiveram o CPF negativado por causa de um relacionamento.
45% contraíram dívidas de ex-parceiros mesmo após o término da relação.
49% já esconderam algum problema financeiro do parceiro
35% das brigas são causadas por decisões financeiras impulsivas
Os números mostram que o dinheiro não é apenas uma questão prática, mas um reflexo de como cada pessoa lida com responsabilidade, planejamento e transparência.
A infidelidade financeira é uma realidade que pode ser percebida quando uma pessoa esconde dívidas, compras, problemas financeiros e toma decisões sem consultar o parceiro. O que pode causar, além de quebra de confiança, um afastamento das pessoas com quem mais gostamos de conviver.
Vergonha de ser julgado pelas ações que o levaram àquela situação financeira.
Medo de perder o relacionamento ou afetar a relação do dia a dia
Desejo de resolver sozinho: uma tentativa de solucionar a questão sem envolver ninguém e, principalmente, sem pedir ajuda.
Pressão social: dificuldade em admitir dificuldades em uma sociedade que associa sucesso financeiro à competência pessoal.
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O dinheiro é um dos grandes protagonistas das nossas vidas, por isso, falar sobre grana é essencial para ter bem-estar em todas as relações
Lidar bem com o dinheiro é um desafio e tanto para a maior parte das pessoas . Além de dar conta dos compromissos mensais, ainda é preciso pensar nos momentos de lazer e imprevistos.
A nossa forma de se comportar em relação às finanças vai impactar positivamente ou negativamente nossas decisões, vidas e relacionamentos. Uma pesquisa realizada pela Fintech Onze, em parceria com a Icatu, aponta que 49% dos entrevistados dizem que o dinheiro é a principal fonte de preocupação . O número é maior que temas como saúde (19%), família (15%), trabalho (7%), violência (7%) e política (3%), por exemplo.
O estudo, que ouviu mais de 8 mil pessoas, entre trabalhadores de carteira assinada (CLT), autônomos (MEI), desempregados, aposentados e funcionário público, apontou um agravamento na situação financeira das famílias brasileiras, onde 51% dos entrevistados afirmam que a renda mensal não é suficiente para cobrir os gastos. Além disso, 72% relatam que suas finanças afetam negativamente o bem-estar mental .
É claro que ninguém sofre porque quer, o tabu em relação às finanças é tão grande, que muita gente prefere nem olhar para a conta bancária, que dirá conversar com alguém sobre a situação de endividamento.
É por isso que o primeiro passo é a mudança de mentalidade e comportamento com as finanças pessoais, aquele olhar mais carinhoso e resolutivo. Monte um plano de mudança, tenha disciplina, peça ajuda e veja suas finanças sendo ressignificadas pouco a pouco.
A situação financeira de cada um vai afetar diretamente o bem-estar físico e mental, os relacionamentos e a capacidade de atingir objetivos de longo prazo, como a aposentadoria. Um bom planejamento financeiro nos leva a um futuro mais estável e seguro, enquanto a falta de controle pode gerar estresse, ansiedade, depressão, insônia e prejudicar as relações interpessoais.
Estresse e ansiedade: a preocupação com dinheiro é um dos maiores gatilhos para ansiedade e estresse, podendo levar a problemas como insônia. Quem diz que mal consegue dormir pensando nas dívidas, está falando sério!
Depressão: estudos mostram uma forte ligação entre estresse financeiro e depressão, especialmente em pessoas de baixa renda. Em alguns casos, a situação financeira desencadeia a depressão, já em outros casos, problemas diversos, como a perda de um pet muito amado, comprometem o autocuidado e fazem com que a pessoa se desorganize financeiramente, gastando por compulsão, por exemplo.
Saúde física: o estresse financeiro contínuo pode afetar o sono e a capacidade de concentração. A preocupação costuma paralisar. Muito frequentemente atendo casos de clientes que estão num momento em que precisam regularizar as finanças, a alimentação, o cuidado com a saúde física e mental, com a casa, estudos, trabalho. Em resumo, o desequilíbrio não costuma aparecer sozinho, só na vida financeira, ele se manifesta na vida como um todo e precisamos estar atentos aos sinais, para não perder o controle e adoecer.
Relações familiares e conjugais: as dívidas e o estresse financeiro podem causar conflitos no casamento e impactar as relações dentro da família. O que poderia ser facilmente resolvido com diálogo, pode se tornar um assunto proibido dentro de casa.
Insegurança financeira: a falta de diálogo e organização financeira geram insegurança e dificultam a realização de objetivos.
Dificuldade em poupar e investir: comportamentos como o de comprar por impulso ou a falta de planejamento podem impedir a construção de um futuro financeiro mais estável.
Fobia financeira: o medo intenso de lidar com dinheiro pode levar à autossabotagem, agravando ainda mais a situação financeira.
Uma excelente atitude para começar a melhorar as finanças é apostar na educação financeira. Através do conhecimento e melhor entendimento da sua realidade, é possível iniciar o processo de ter uma boa saúde financeira.
Os benefícios da educação financeira envolvem a capacidade de tomar melhores decisões com consciência e eficácia, além de auxiliar no planejamento a longo prazo, onde você é capaz de desenvolver habilidades para gerir e poupar grana. E quando o dinheiro deixa de ser tabu, ele cresce!
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O dinheiro está profundamente enraizado nas nossas experiências, nos valores e nas crenças. A forma com que o usamos pode ser reflexo dos ensinamentos, da convivência com os familiares, das influências culturais ou, até mesmo, das experiências financeiras anteriores. E a correria do dia a dia só faz com que as pessoas acabem deixando de lado a reflexão sobre grana e priorizem as outras coisas.
Mas acredite: compreender a sua real situação financeira é importante para vários aspectos da vida. Afinal, o dinheiro molda nossos comportamentos, atitudes e decisões . E quando estamos à dois, nossos comportamentos frequentemente vão de encontro com os modos e costumes do outro, então o diálogo é importante para que haja um meio-termo que funcione bem para todos.
Portanto, vale um esforço para dedicar um tempo e analisar com mais cuidado a forma com que vocês têm lidado com dinheiro.
Para te mostrar a real importância do dinheiro na sua vida, aqui vão cinco motivos para você mudar a sua perspectiva e encarar a sua relação com o dinheiro de outra forma.
1. Futuro sem perrengue + Finanças sob controle
Entenda antes de tudo que controle financeiro não é sinônimo de não poder comprar mais nada. Aliás, controle financeiro é uma ferramenta que ajuda a otimizar os recursos, garantindo um equilíbrio saudável entre as despesas e os recebimentos.
Dessa forma, você consegue planejar e economizar para objetivos futuros, como a compra da casa própria, a faculdade dos filhos ou a aposentadoria, além de facilitar a transição nos diferentes estágios da sua vida.
2. Entender o valor das coisas = repensar as escolhas
Aqui o foco é entender que não se trata dos números em si, e sim do fato de que cada real representa um valor financeiro e é fruto das horas dedicadas ao trabalho. Quando compreendemos isso, passamos a reavaliar as nossas escolhas e considerar o impacto das nossas decisões financeiras a longo prazo. Eu sempre me pergunto: “se alguém me oferecesse um creme em troca de um dia de trabalho, eu aceitaria acordar cedo e engolir alguns sapos para recebê-lo?” Se a resposta for sim, eu compro o creme, se for não, eu priorizo outras coisas.
3. Agora é o melhor momento para começar a aprender sobre finanças
Sempre é possível caminhar em direção a uma relação mais saudável com o dinheiro, independentemente da idade ou do momento de vida. Se lamentar pelo que poderia ter acumulado, se tivesse começado a investir desde o primeiro salário, só vai te afastar da vida de segurança e autonomia financeira que você merece ter.
Converse com as amigas e com seu par sobre isso e lembre-se que na internet você encontra vários conteúdos que podem te ajudar.
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4. Sua realidade financeira é um reflexo do seu momento de vida
Cada pessoa tem uma realidade única, e isso deve ser levado em consideração ao lidar com finanças. O que funciona para um não necessariamente funciona para outro, mesmo estando em uma relação.
Se você está enfrentando desafios financeiros, tente ser mais gentil consigo mesmo. Em vez de se culpar por situações adversas, busque entender as razões por trás das dificuldades e crie um planejamento para conseguir sair dessa situação. O endividamento, por exemplo, é uma fase, que tem começo, meio e fim, então conversar sobre ele ou outras questões financeiras com pessoas de sua confiança, com o objetivo de resolver, tem um grande potencial de te fazer bem.
5. Atitudes diferentes = resultados diferentes
Entenda a importância de criar novos hábitos financeiros. Comece com pequenas ações diárias, como registrar os seus gastos ou refletir sobre os momentos em que sentiu impulsos de consumo. A consequência da mudança de atitude é o ganho da disciplina, que ao se tratar de finanças, costuma gerar ótimos frutos. O hábito de guardar dinheiro regularmente, por exemplo, faz com que você acumule reservas significativas ao longo do tempo e ainda desenvolva uma mentalidade de prevenção que é muito importante em um planejamento financeiro.
Eu me despeço te convidando a refletir sobre os 5 motivos que te farão mudar sua forma de encarar o dinheiro. E lembre-se: quando damos o primeiro passo e abrimos espaço para falar sobre finanças, as pessoas ao nosso redor se engajam no assunto e com o tempo fica cada vez mais fácil manter um diálogo saudável sobre dinheiro.
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Falar sobre dinheiro é crucial para a saúde e longevidade de qualquer relacionamento. A comunicação transparente evita conflitos, alinha expectativas, constrói confiança e permite o planejamento conjunto de objetivos, sejam eles pessoais, familiares ou entre amigos.
O ideal é estabelecer um diálogo financeiro assim que for possível, adaptando a profundidade da conversa ao nível de intimidade e confiança. Em relacionamentos amorosos, seria importante começar na fase de namoro, para alinharem as expectativas e fazerem planos que funcionem bem para ambos; com familiares, seria ótimo priorizar esse assunto desde cedo, então se você tiver crianças na família, os inclua nas conversas e decisões; e com amigos, quando surgirem situações que envolvam finanças, como planejamento de viagem, de festa, ou quando você quiser contar de uma dificuldade ou conquista
A falta de comunicação financeira pode gerar desconfiança, conflitos, infidelidade financeira, desalinhamento de objetivos, estresse e, em casos extremos, o rompimento dos relacionamentos. Em família, pode levar a humilhações e falta de responsabilidade. Entre amigos, pode causar perda de amizades e endividamento.
Infidelidade financeira é a omissão de informações sobre dinheiro, como esconder gastos, dívidas ou investimentos. Ela mina a confiança, gera sentimentos de traição e pode ter um impacto devastador na autoestima e na segurança do relacionamento, seja ele amoroso, familiar ou de amizade.
Quando há uma grande disparidade econômica, o dinheiro pode ser usado como instrumento de controle ou manipulação. Isso pode ocorrer entre parceiros, pais e filhos, ou até mesmo entre amigos, gerando ressentimentos, conflitos e um ambiente tóxico.
Escolha o momento certo, seja transparente e honesto, foque em objetivos comuns, pratique a empatia e a escuta ativa. Com a família, comece pelos sonhos e envolva as crianças. Com amigos, seja sincero sobre suas limitações e proponha atividades que caibam no orçamento de todos.
A 99Pay oferece ferramentas para controle de gastos pessoais, lucratividade do saldo e facilidade de pagamentos, o que pode ajudar na organização individual. Suas funcionalidades podem ser integradas a um planejamento financeiro conjunto, promovendo a transparência e o alinhamento.
Não há uma resposta certa para todos; a melhor opção depende do seu perfil, da liberdade que você precisa, do nível de confiança e do objetivo que vocês têm com essa conta. Em relacionamentos amorosos, muitos optam por uma conta conjunta para investimentos e despesas comuns e contas separadas para gastos pessoais.
A chave é a comunicação aberta, empatia e o estabelecimento de limites claros. Em relacionamentos amorosos, alinhem objetivos e definam um plano de gestão. Em família, reconheçam e respeitem as diferenças. Com amigos, seja honesto sobre seus limites e proponha atividades inclusivas. Tentar mudar o outro gera muito desgaste, então opte por acolher as diferenças e encontrar os meio-termos.
Em relacionamentos amorosos, discuta a compra de bens, viagens, orçamento do mês, aposentadoria e reserva de emergência. Em família, envolva todos no orçamento doméstico e criem metas de longo prazo. Com amigos, alinhe expectativas para atividades e projetos em grupo, garantindo que todos se sintam confortáveis financeiramente.