
Última atualização: 15/10/2025
Por: Mari Ferreira
O dinheiro faz parte da nossa vida em todos os sentidos. Quando ele não é o protagonista, ele é coadjuvante. Ou seja, ao sair de casa, para trabalhar ou se divertir, o dinheiro vai ser levado em conta sempre. A grande questão que fica é: como gastar o dinheiro com autonomia e responsabilidade?
No segundo episódio da série Dinheiro Delas da 99Pay, a educadora financeira e consultora, Mari Ferreira, bate um papo com mulheres inspiradoras para saber como cada uma toma decisões sobre o uso do próprio dinheiro.
Dinheiro Delas | Episódio 2: O poder de decidir como usar o próprio dinheiro
Continue lendo este artigo para descobrir dicas essenciais para melhorar a gestão da sua grana.
Saber usar o dinheiro de maneira responsável e autônoma é fundamental para evitar dívidas e nos ajudar a poupar uma grana para criação de reserva de emergências e também um investimentos de médio e longo prazo. Ao contrário do que muitos imaginam, em alguns momentos, priorizar os gastos (certos) é a chave para alcançar um bem-estar financeiro.
Aqui eu trago um exemplo prático e real, que aconteceu comigo, e deve te dar mais clareza sobre essa priorização: Uma vez eu estava no shopping com uma amiga e vi uma jaqueta linda numa loja. Minha amiga disse pra eu comprar, então vi o preço. Fiz um cálculo rápido e descobri que aquela jaqueta custava três dias de trabalho. Na época eu atuava como CLT em um emprego super estressante. Se alguém me dissesse que depois de três dias de trabalho meu pagamento seria aquela jaqueta, eu não iria trabalhar. Então decidi que aquela jaqueta não valia meus três dias de trabalho. E essa é uma forma de ver o real preço e valor das coisas. Eu acho importante entender o valor do nosso esforço".
Conheça sua renda, saiba quanto é líquido e bruto, quanto vai para pagamento de imposto e FGTS, quanto você tem pra receber no futuro, seja por uma venda ou um 13° salário. Tendo noção de quanto terá nos próximos meses, você consegue programar muito melhor os gastos.
Crie um orçamento detalhando despesas fixas e variáveis para entender se você está gastando com o que faz sentido ou por impulso. E também se o preço que você paga em cada item condiz com a sua renda. Por exemplo: você paga R$800,00 em creche para o seu pet, tendo uma renda de R$3.000,00, por mais que seja ótimo para ele e você seja um excelente tutor, esse é um percentual muito alto do dinheiro mensal, e considerando todas as demais despesas, é provável que você se endivide em algum momento
Evite despesas e dívidas desnecessárias. Sabe quando uma amiga te convida para um fim de semana na praia, e você aceita só para agradar, sabendo que nem curte tanto aquela praia, e nem viajaria se não tivesse surgido o convite? Pois bem, esse é um exemplo clássico de uma despesa, que pode até se tornar uma dívida, que seria totalmente evitável, porque não era necessária, nem foi uma escolha sua.
Planeje as compras ponderando a real necessidade e o custo-benefício imediato e a longo prazo. Eu sei que em alguns dias a gente só quer comprar uma coisinha para se sentir melhor, seja uma roupa, algo para casa, uma comida, mas é importante entender com que frequência isso acontece. Se quase todas as suas compras carregam esse traço emocional, não se trata mais de algo pontual, se torna um padrão de comportamento e uma justificativa para os impulsos e tentações. Então, tente separar as emoções e compreender se aquela compra faz sentido e vai te gerar uma sensação positiva, mesmo que passe um tempinho. E se o que você comprou vale o preço, porque muitas vezes o barato sai caro e só impulsiona as novas necessidades de compra e reposição.
Acompanhe seus gastos com ferramentas financeiras para controlar e ajustar seu planejamento. Quando as contas estão bagunçadas, a melhor maneira de ganhar consciência e dar um passo decisivo para mudar o cenário, é encarando os números. Tem que olhar as faturas e extratos, organizar em aplicativos ou planilhas e, com a clareza que só uma soma é capaz de nos dar, precisamos tomar uma atitude para a quebra de padrões que estão minando a capacidade financeira.
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A educação financeira precisa ser uma realidade na vida das pessoas, justamente por evitar o agravamento das dívidas
Buscar o equilíbrio financeiro é o objetivo da maioria das pessoas, mas, às vezes, o início pode ser um pouco nebuloso. Para te ajudar a organizar melhor suas finanças e tomar decisões mais conscientes, reunimos cinco dicas práticas.
1. Otimize seu orçamento
Depois de ter montado um orçamento, em planilha ou papel, e tendo conhecido sua renda e despesas, é hora de tomar decisões. Eu recomendo que você faça uma classificação por cor, em que os itens verdes são inegociáveis, seja porque são obrigatórios, como um aluguel, ou porque são sua prioridade máxima, como o plano de saúde do seu filho; os itens amarelos podem ser reduzidos, porque, apesar de serem importantes, estão mais caros do que deveriam, como o plano de celular ou o programa que permite o uso de várias academias; e finalmente em vermelho itens que você percebeu que são desnecessários ou exagerados, como a assinatura de produtos de skincare que chegam todo mês na sua casa, e que você não compraria avulso, se não estivessem numa caixa, ou o programa de milhas que você paga, mas não acumula o suficiente pra uma viagem legal.
Tendo a visão do que realmente importa, você vai conseguir otimizar seu orçamento, sem passar vontade de nada, para poupar e investir nos seus sonhos.
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2. Defina metas financeiras
Estabelecer objetivos claros, com prazos definidos e valores orçados, dá um super incentivo para a mudança de hábitos de consumo. Imagine que prazeroso seria poupar para uma viagem ou para uma festa, tendo a certeza que na data planejada, o dinheiro estaria lá e seria suficiente. Acredite, isso é possível através do planejamento financeiro. E quando a gente adquire o hábito de fazer boas escolhas, poupar se torna tão natural quanto pagar os boletos. Então, liste suas próximas realizações, precifique e se organize para incluir tudo no seu orçamento futuro.
3. Use crédito com consciência e conheça as taxas de juros
Que o cheque especial tem juros altíssimos e deve ser usado apenas em situações de extrema emergência, muita gente sabe, mas ainda assim uma pesquisa da CNDL e SPC Brasil, de abril de 2025, aponta que 31% dos consumidores usam o cheque especial, sendo que 46% deles usam todos os meses. Isso me leva a conclusão de que por mais que saibam que as taxas são altas, a falta de educação financeira e talvez até uma certa fobia de olhar para o dinheiro, estão levando as pessoas a ignorarem a desvantagem, e seguirem utilizando o limite, sem buscar outras alternativas mais em conta.
O mesmo tende a acontecer com o crédito rotativo do cartão de crédito, as pessoas sabem que as taxas são um problema, mas não costumam consultar o percentual de cada cartão e seguem consumindo normalmente no mês, até se darem conta de que a fatura veio alta demais e, então, recorrem para o pagamento mínimo ou o parcelamento da fatura.
O uso consciente do crédito se dá antes do endividamento, quando escolhemos comprar só o que a renda ou as economias permitem pagar, ou durante o período de aperto, em que se prioriza a resolução do problema, o controle do orçamento, a gestão e criação de fontes de renda, e até mesmo a tomada de um crédito mais barato para a quitação de dívidas mais caras.
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4. Reavalie os hábitos de consumo
Às vezes, você não está consumindo muito, está só gastando errado. E isso dá pra perceber no dia a dia quando você analisa quantas vezes comeu fora em 1 mês, por exemplo.
Compartilhando uma situação real, um dia desses estava vendo o extrato de uma cliente minha, e observei que ela foi ao mercado 29 vezes no mês, praticamente todos os dias. Para ela era normal passar no mercado todo dia na volta do trabalho e, como gastava pouco em cada ida, não se deu conta de que era uma questão. Acontece que o pouco, somado em 29 compras, deu um montante alto, que revelou mais que um hábito de consumo, um traço de ansiedade. Essa revisão de padrões é importante em vários aspectos da nossa vida e eu te convido a começar pelas finanças.
Pequenas mudanças, como levar marmita para o trabalho ao invés de comer em restaurantes, e fazer a compra de mercado uma vez por semana, ao invés de ir sempre que falta alguma coisinha, podem gerar uma economia significativa mês a mês. Vale a pena fazer o teste.
5. Esteja preparado para imprevistos
A gente nunca sabe quando nem como, mas é certeza que os imprevistos vão acontecer em algum momento, então se planejar para lidar com a situação é sinal de organização e inteligência financeira. Por isso é tão recomendado que todos tenham reserva de emergência, tanto para cobrir despesas inesperadas, quanto para a ausência de renda. Quem é trabalhador formal, pode perder o emprego e ficar sem grana durante o período de recolocação, assim como o autônomo pode ter um mês de baixo faturamento, tomar um calote, ou precisar investir em compra de estoque.
Ter uma boa reserva pode te salvar na hora do imprevisto e evitar que você precise contrair dívidas em momentos de caras e não planejadas. Priorize a construção da reserva no seu orçamento mensal.
A maneira mais estratégica e eficiente de usar o dinheiro é separar uma parte da renda para investir . Isso implica em reservar um valor, por menor que seja, todos os meses para investimentos com potencial de gerar retornos no futuro.
A maioria das pessoas só consegue poupar e investir com um objetivo claro em mente, porque existe uma crença enraizada de que todo dinheiro precisa ter uma finalidade (ou como eu sempre provoco, um fim). Por alguma razão, as pessoas sentem um certo incômodo de ver dinheiro parado na conta por mais de um mês, mesmo investido, como se fosse necessário endereçá-lo para algo logo, antes que ele suma ou acabe. Curioso esse olhar, considerando que o dinheiro bem investido cresce e aumenta a segurança e o potencial de conquista de bens, você não acha?
É por acreditar que o dinheiro existe para me proporcionar abundância, que eu poupo, invisto e só resgato em situações urgentes e de concretização de planos, como a compra de um apartamento. Mas ainda assim, sempre com a intenção de repor, porque é aquilo, ninguém jamais vai se arrepender de ter conseguido juntar dinheiro demais na hora da aposentadoria ou de um desemprego prolongado. E para mim, como mulher, é aí que encontro autonomia e liberdade financeira.
São os norteadores que usamos para buscar maior equilíbrio nas finanças. Seja pessoal ou empresarial, geralmente eles englobam planejamento, controle, economia, análise e planejamento.
Esses pilares visam organizar as finanças, garantir que os gastos sejam menores que a renda, dar clareza sobre a situação financeira e uso do dinheiro, para atingir objetivos e criar a tão sonhada riqueza.
Controlar: manter as contas organizadas e em dia, o que envolve anotar e acompanhar as entradas e saídas com frequência.
Poupar: evitar os desperdícios financeiros. Economizar e guardar dinheiro. Ter reservas para imprevistos e objetivos.
Analisar: usar o crédito com estratégia e planejamento, sem atrapalhar as contas. Evitar dívidas caras que não gerem crescimento de patrimônio.
Planejar: se preparar para o futuro. Poupar para cada objetivo desejado. Proteger o patrimônio e a família com investimentos e seguros.
Se você levar em conta os pilares da responsabilidade, autonomia e inteligência financeira na hora de tomar suas próximas decisões, tenho certeza que se verá numa posição de muito mais conforto e segurança, e foi pensando nisso que elaboramos esse artigo, que é basicamente um guia prático de como usar bem os recursos e garantir um futuro de prosperidade!
O que achou do conteúdo? Aproveite para conhecer o , que traz dicas para você gerir melhor suas finanças. Ah, você sabia que o dinheiro na conta da 99Pay lucra até 110% do CDI, todos os dias? Faça seu cadastro e use sua conta digital.
Definir prioridades é o primeiro passo para um gasto consciente, por isso o autoconhecimento é tão importante, tire um momento para pensar sobre o que você imagina para sua vida no futuro. Comece identificando seus objetivos de curto, médio e longo prazo, como quitar dívidas, criar uma reserva de emergência ou investir. Isso ajudará a direcionar seus recursos de forma mais eficaz.
Para evitar gastos por impulso, se questione a cada compra: "Eu quero ou preciso? Eu posso? Eu devo? Eu estou em um bom dia pra tomar essa decisão?”. Identifique despesas supérfluas e tente reduzi-las, se possível espere promoções e priorize sempre pagamentos à vista. Fique atento também aos "gastos invisíveis", como assinaturas não utilizadas..
Crie um orçamento detalhado, registrando todas as suas receitas e despesas em um aplicativo, caderno ou planilha. Acompanhe seus gastos semanalmente no início e quinzenalmente depois que se habituar a um padrão de consumo mais sustentável, assim você poderá identificar em tempo real para onde seu dinheiro está indo e em que você pode economizar.
Priorize a quitação de dívidas existentes antes de fazer novas aquisições. Comece a poupar regularmente, mesmo que pequenas quantias, e crie uma reserva de emergência enquanto se planeja para a quitação da dívida. Após isso, explore opções de investimento em renda fixa para fazer seu dinheiro render.
Autonomia financeira é a capacidade de tomar decisões conscientes sobre seu dinheiro, sem depender de terceiros. Desenvolva-a através da educação financeira, buscando aumentar sua renda, adaptando seu estilo de vida ao que você ganha e mantendo disciplina e visão de longo prazo.
Sim, a educação financeira pode e deve começar na infância. Ensinar crianças a lidar com pequenas quantias, a fazer escolhas conscientes e a entender o valor do dinheiro desde cedo contribui para a formação de adultos financeiramente responsáveis.
Antes de gastar, pergunte-se: "Estou gastando mais do que deveria? Como posso poupar? Qual a melhor forma de investir para ter retorno? Como posso aumentar minha renda?". Refletir sobre essas questões te dá um tempo maior para decidir e ajuda na tomada de decisões mais responsáveis.
A 99Pay oferece ferramentas e funcionalidades que podem auxiliar no controle dos seus gastos, como o acompanhamento de transações, opções de pagamento e até mesmo recursos para poupar e investir, simplificando sua gestão financeira.
Sim, ter uma reserva de emergência é crucial para lidar com imprevistos sem comprometer suas finanças. Comece poupando uma pequena parte da sua renda mensal e, gradualmente, aumente esse valor até ter o equivalente a cerca de 3 a 6 meses dos seus gastos essenciais.
Para evitar gastos invisíveis, revise regularmente suas assinaturas de serviços e aplicativos, cancelando aqueles que não utiliza. Monitore seu extrato bancário para identificar cobranças recorrentes que podem passar despercebidas e comprometer seu orçamento.