Semafóros vão sobreviver ao surgimento de carros autônomos?

Sensores dos veículos vão permitir controle do tráfego e não haverá necessidade de semáforos

A noção que temos hoje dos motoristas pararem no cruzamento para esperarem a luz verde do semáforo acender poderá não existir no futuro. Primeiro porque não vamos mais dirigir os carros, mas apenas viajar neles; segundo porque os sistemas automatizados dos veículos autônomos vão permitir um controle do tráfego que não dependerá de semáforos.

Alguns analistas apontam que os carros autônomos estarão entre nós em um ou dois anos. Outros estudos indicam que será realidade, de fato, apenas em uma década. Já há vários indícios de que a tecnologia está caminhando para a implantação de carros sem motoristas.

No Arizona, nos Estados Unidos, não há regulamentação restringido o uso de carros autônomos e já há empresas fazendo testes sem motoristas desde o ano passado. Na Califórnia, onde estão sediados os laboratórios das empresas de tecnologia, inclusive o da chinesa DiDi Chuxing, o governo assinou dias atrása autorização para que empresas façam testes com carros sem nenhum motorista a partir de abril. Hoje, ainda é obrigatório que ao menos um ser humano esteja dentro do carro durante os testes. Evidentemente que, antes de realizar os testes, as empresas vão ter que comunicar onde farão os testes com os carros autônomos, comprovar que possuem comunicação com os veículos e informar o Departamento de Trânsito em casos de colisão.

E o que pode acontecer quando os carros autônomos estiverem circulando nas metrópoles?

Indícios sugerem que a tecnologia transformará bastante o funcionamento das nossas cidades. Viagens compartilhadas em carros autônomos podem reduzir drasticamente o número de veículos nos centros urbanos e a tecnologia presente nos carros pode tornar o trânsito menos congestionado.

Pesquisadores do Senseable City Lab — um laboratório do Massachusetts Institute of Technology (MIT) — desenvolveram um estudo em que cruzamentos funcionariam sem semáforos, mas com dispositivos que se comunicariam com sensores dos carros. Os veículos manteriam uma distância segura e teriam, no máximo, que reduzir a velocidade ao invés de parar completamente.

 

 

O novo modelo dobraria a eficiência do tráfego, praticamente eliminaria filas e reduziria os índices de poluição do ar causados pelos congestionamentos. Poderia, ainda, ser desenhado para acomodar pedestres e bicicletas nos cruzamentos.

Os ganhos em economia com um trânsito automatizado chegariam a US$ 5,6 trilhões anuais no PIB global, segundo uma projeção do banco Morgan Stanley. Só na economia norte-americana, os carros autônomos poderiam contribuir com US$ 1,3 trilhões, o que representaria um aumento de 8% no PIB anual.

E o aumento da produtividade geraria um incremento de US$ 507 bilhões anuais nos Estados Unidos, país onde as pessoas gasta-se cerca de 75 bilhões de horas por ano dirigindo.

O relatório do Morgan Stanley sugere ainda que já existe tecnologia para a adoção em massa dos carros autônomos, mas que faltam apenas algumas questões de pesquisa e desenvolvimento quanto à durabilidade e confiabilidade.

Além disso, para o analista do banco Ravi Shanker, autor do artigo, o preço dos veículos não será impeditivo, pois não chegará a valores estratosférico. “A gente estima que a capacidade de autonomia dos carros vai adicionar cerca de US$ 10 mil no custo do carro, no preço de hoje, o que eu acho que vai cair significativamente quando a tecnologia estiver pronta para ser comercializada”.

Outros pontos que costumam ser mencionados como potenciais obstáculos à adoção dos veículos autônomos estão relacionados à infraestrutura e à questões de regulamentações governamentais.

Qual país está mais preparado para receber carros autônomos?

Para a KMPG, esses itens fechariam os quatro pilares da introdução dos carros autônomos, que seriam: tecnologia, legislação, infraestrutura e aceitação do consumidor.

A empresa de auditoria analisou vinte países do mundo e traçou um rankingdos lugares mais preparados e abertos à adoção dos veículos autônomos. Os analistas avaliaram, entre outras coisas, as condições de ruas e avenidas das cidades; a qualidade da rede de internet móvel; a disposição dos governos em regulamentar e apoiar o desenvolvimento de carros sem motoristas; o nível de inovação do setor privado e a presença de testes em larga escala da indústria automotiva.

O Brasil ficou posicionado na parte inferior da lista de 20 países, na 17ª colocação. O país mais adiantado a receber bem os carros autônomos, de acordo o ranking da KPMG, é a Holanda, seguida da Singapura e dos Estados Unidos.